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Mais uma vez o samba
Muito já se falou sobre o samba nas letras das canções. Que ele é branco na poesia e negro demais no coração; que ele é pai do prazer e filho da dor; que ele é o grande poder transformador; que quem não gosta de samba bom sujeito não é; que o samba da minha terra deixa a gente mole; que o morro foi feito de samba; que um samba quente, harmonioso e buliçoso mexe com a gente e dá vontade de viver... Muito também já se refletiu (e com certeza vai se refletir) sobre o samba em teses, artigos, debates.
Para dar sua contribuição ao tema, nesta edição a Continuum se concentrou em alguns dos aspectos que ajudaram a construir o imaginário do samba ao longo dos séculos. As reportagens mostram como o amor e a figura feminina são retratados nos clássicos do gênero; falam da vinculação quase obrigatória entre a comida, a bebida e a roda de sambistas; e investigam a simplicidade da caixinha de fósforos, usada pelos antigos como instrumento percussivo. Em outra matéria, as semelhanças entre a vida e a obra de Cartola e Adoniran Barbosa, referências quase centenárias, podem ser consideradas como metáforas da vida no Rio de Janeiro e em São Paulo, ontem e hoje. Na Entrevista, Wilson das Neves conta a Curumin, baterista recém-convertido a cantor, sua trajetória de 40 anos na música, num encontro de gerações.
Mas a edição não é só de reverência ao clássico. O Perfil apresenta o pernambucano João do Morro. O samba popular, ouvido em publicicletas e fartamente pirateado, é a porta de entrada do músico, fenômeno ainda restrito ao Nordeste. O olhar contemporâneo também aparece nos depoimentos de seis músicos sobre como o samba os toca emocional e esteticamente. O Carnaval é visto pelo seu lado B, em matéria a respeito da produção da festa, seja em um bloco de rua, seja em um desfile no sambódromo. E o uso do samba no cinema nacional, muito mais do que como trilha sonora, é o assunto para o exercício de reportagem da seção Deadline.
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